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Brasil poderá perder aproximadamente 3 milhões de toneladas de soja com as enchentes no RS.

Especialistas fazem levantamento e indicam perdas da soja nas áreas afetadas pelas enchentes do Estado do Rio Grande do Sul.


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Foto: Notícias Agricolas

A colheita da soja no Estado do Rio Grande do Sul ainda não estava encerrada no momento em que ocorreram as chuvas que castigaram o Estado, neste inicio de mês onde, segundo as estimativas, faltavam cerca de 30% a serem colhidos, de um total de 6,68 milhões de hectares plantados.


Com a produtividade estimada em 3.329 quilos por hectare, ainda havia uma área de 2 milhões de hectares por serem colhidos no Estado do RS, logo, estima-se que faltavam colher aproximadamente 6,6 milhões de toneladas.


O resultado desta análise foi divulgado em entrevista ao canal Notícias Agrícolas, onde a consultoria especializada Pátria Agronegócios, através de seu analista, Matheus Pereira, apontou através de suas análises e levantamentos, que existem áreas ameaçadas no Rio Grande do Sul, com potencial de perdas entre 2,4 milhões a 2,8 milhões de toneladas, aumentando ainda mais as perdas nacionais que podem ser superiores as perdas registradas em 2022.


Para entender o cenário atual de perdas, as estimativas eram de que o Brasil colheria 162 milhões de toneladas de soja no ciclo 2023/2024, porém, os efeitos do clima provocados pelo fenômeno El Niño, que tiveram influência negativa desde o início do plantio até as fases de desenvolvimento das lavouras nas regiões produtoras do país, fizeram com que, gradativamente, fossem ajustando-se esses dados, reduzindo o potencial produtivo brasileiro para números abaixo de 145 milhões de toneladas. Estas perdas foram provocadas por excesso de chuva no momento plantio, provocando replantio e, escassez de chuvas, em outras áreas, reduzindo o potencial produtivo, invariavelmente, em todo o País, as lavouras de soja foram afetas por algum efeito do clima instável.


Em abril de 2024, a CONAB (Companhia Brasileira de Abastecimento), divulgou em seu boletim, após sucessivos cortes, uma previsão de safra de 146,52 milhões de hectares, um número bastante controverso com o teimoso número divulgado e mantido pelo USDA (155 milhões de toneladas) e, com este novo ajuste, configurando-se cumulativamente as perdas de ao longo do ciclo produtivo da oleaginosa. E agora, já com a potencial perda de boa parte dos 6,6 milhões de toneladas da oleaginosa a serem colhidas no Estado do Rio Grande do Sul, poderemos ter números muito aquém das expectativas iniciais.


Em nossas análises, na Rio Grande Agrícola, já afirmávamos sobre a complexidade que é produzir com a influência e os efeitos controversos do fenômeno El Niño, pelo fato de que este fenômeno provoca um efeito contrastante entre regiões brasileiras, potencializando excelentes safras nas regiões ao sul e variáveis nas regiões ao norte do País e, vice-versa quando ocorre o fenômeno La Niña, pois já havíamos assistido este cenário em muitos momentos anteriores. Nossa estimativa era de 142 a 143 milhões de hectares, o que sempre nos deixou incrédulos com os efeitos que a superestimava provocaram nos preços da soja na Bolsa de Chicago, onde chegamos a publicar em nosso blog e redes sociais alguns comentários sobre as perdas que os produtores brasileiros tiveram com o excesso de otimismo de alguns setores do agro brasileiro, reduzindo em bilhões de dólares sua receita total.


Neste atual cenário temos que levar em conta que (i) as estimativas de hectares plantados são reais, com potencial de 162 milhões de toneladas, (ii) que houve uma expansão de área, (iii) que houveram perdas variadas em todos os campos produtivos, com algumas lavouras chegando a 50% de perdas, (iv) que houveram efeitos da escassez de chuvas e que também houveram inundações em lavouras, (v) que os efeitos da bolsa são provocados pelo estoque final da oleaginosa e pelo movimento de compra e venda especulativa e (vi) que a Argentina voltou a colher mais do que nos últimos anos.


Conclusivamente, podemos dizer que: o que o Brasil perdeu ou teve como quebra, não há remédio e, infelizmente, está consumada a perda financeira, mas teremos que aprender (i) a fazer melhor nossas análises e estimadas, prevendo todos os cenários, porque já que sabíamos dos efeitos dos fenômenos El Niño e La Niña e, não houve uma análise sequer que estimasse risco de perdas, cuja grande maioria das previsões apontavam uma super safra brasileira, mas, em rara exceção, a consultoria aqui divulgada informava a potencial perda, (ii) que devemos combater o efeito USDA, pois aquilo que os americanos costumam considerar como ideal não é o ideal para o Brasil, bem como, a sua base de composição de preços são feitas para o produtor americano e não ao produtor brasileiros (apenas e preguiçosamente tomamos seus dados emprestados para fazer nossos preços, infelizmente) e, visto que, mesmo sabendo das perdas, o USDA mantém o número estático em seu banco de dados, ou seja, se está assim é porque alguém se beneficia e nós já sabemos que não foram os produtores e comerciantes brasileiros que se beneficiaram, (iii) que a CBOT é composta de grandes player compradores de soja e especuladores de mercado e, entre eles, estão grandes compradores chineses e, por fim, (iv) que as perdas provocadas pela tragédia ocorrida no Rio Grande do Sul, expuseram as feridas dos efeitos do clima em nossas lavouras e teremos que aprender muito mais a prever sobre o clima de agora em diante para evitar que nossas plantações fiquem expostas e sob judice do tempo, ou seja, o efeito dos atrasos da safra brasileira devido ao fator climático afetaram nossa produção e precisamos planejar e reavaliar os efeitos do clima em nossas lavouras de forma urgente.


Algumas imagens divulgadas pelo canal Noticias Agrícolas:











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